
Abertura aos dons do Espírito Santo
A abertura aos dons do Espírito Santo, pedidos e acolhidos, com
os quais podemos agir de modo sobrenatural no cotidiano da vida, sem nos
afastarmos de tudo o que é necessário fazer em nossa família ou profissão,
possibilita um salto qualitativo na existência. Sabedoria para descobrir o
sentido impresso por Deus em tudo o que existe. Ciência para conhecer de modo
divino as realidades da própria natureza. Conselho para discernir os passos a
serem dados. Fortaleza para elevar quem
está caído e para dominar os impulsos que nos levam à agressividade. Piedade,
para que o nosso coração seja “pio”, cheio de bondade em relação ao próximo, à
sociedade e diante de Deus. Temor de Deus, para levá-lo sempre em conta e
caminhar em sua presença. De propósito, o dom da Inteligência, também chamado
de entendimento, é elencado por último, pela urgência com que precisa ser
atuado em nossos dias. O Senhor nos diz: “Quando ele vier, o Espírito da
Verdade, vos guiará em toda a verdade” (Jo 16,13). Com o dom do entendimento, o
Espírito Santo infunde em nós a paixão pela verdade, em tempos de falsidade,
corrupção e mentira deslavada. Deixar-se conduzir pelo Espírito é adquirir tal
paixão, purificando-nos de todo engano!
Uma fonte
preciosa de inspiração é um olhar aberto às pessoas e suas necessidades,
especialmente à sensibilidade diante dos mais pobres e fracos. Não abafar a voz
da consciência, que provoca a saída de nós mesmos para encontrar as estradas do
bem. É necessário superar a insensibilidade corrente diante dos problemas e da
violência, quando podemos fazer ouvido moco diante dos gritos dos mais
sofredores. As muitas cenas do cotidiano, com as quais a miséria humana clama
por serviço e caridade seja a voz do Espírito Santo, que nos conduz ao bem e
suscita a atenção diante do próximo.
Uma das
manifestações da ação do Espírito Santo na Igreja é a figura do conselheiro. Há
pessoas colocadas por Deus em nossa vida que significam muito, pois nos
oferecem, pela palavra e o exemplo, a preciosa ajuda para percorrer os caminhos
suscitados pelo Espírito. Aqui entra, em primeiro lugar, o confessor, pela
graça da escuta, as orientações e mais do que tudo o exercício do ministério
sacramental do perdão. Diga-se o mesmo do ministério da direção espiritual. E
existem também homens santos e mulheres santas que, com sua experiência de vida
cristã madura cuja palavra e exemplo são sinais para a aventura da vida no
Espírito, que não é privilégio de poucas pessoas, mas vocação universal à
perfeição da vida cristã.
Deixar-nos conduzir pelo Espírito Santo significa ainda
identificar suas inspirações que se transformam na diversidade de dons (Cf. 1 Cor 12,3-13).
A beleza da Igreja se expressa na vocação específica de cada pessoa. Não há
motivos para a inveja, ciúme ou comparações estéreis, já que todos têm muito a
oferecer e são importantes para Deus. O apelo é que ninguém se esconda ou se
omita, mas todos contribuam com aquilo que são e com o que têm para a
edificação do Reino de Deus.
Para que nossa
vida seja conduzida pelo Espírito Santo que sopra onde quer, só nos resta pedir
insistentemente: “Ó Deus que, pelo mistério da Festa de Pentecostes,
santificais a vossa Igreja inteira, em todos os povos e nações, derramai por
toda a extensão do mundo os dons do Espírito Santo, e realizai agora no coração
dos fiéis as maravilhas que operastes no início da pregação do Evangelho.